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[Engarrafamento de ideias]
Tem males que vem pelo ar 3 comentários Back to Top
sábado, 23 de julho de 2011, 15:30

Criei um hábito: ler jornal. E dando continuidade ao meu mais novo costume, numa tarde dessas abri um jornal velho, de 10 de Julho,  já sem importância e me deparei com uma coluna do Gilberto Dimenstein falando sobre um viaduto que estava a beira de ser derrubado, que virou um parque de dar inveja em Nova York e claro,  os males que a vida em uma cidade grande pode causar ao corpo.

Ansiedade, depressão e até mesmo esquizofrenia são alguns fatores desencadeados pelas metrópoles, mas me arriscaria a acrescentar a essa lista também o pior dos males: corrupção, e não só de matéria, da espiritualidade.Em tempos de estardalhaço pelo final da saga Harry Potter não custa colocar um pouco de fantasia nessas linhas e dizer que ás vezes desconfio se não há dementadores por essas cidades enormes a cada esquina que você dobra.

Mas em tempos também que a ciência prova que centros urbanos podem trazer males tão grande fisicamente, mentalmente -e olha eu aqui me arriscando a dizer espiritualmente de novo- por que não corremos para as colinas,  para os campos verdes e o ar puro? -desculpa, mas isso ainda existe mesmo? – Nunca fui boa em chutes -seja ele em jogos de futebol, provas de múltipla escolha ou para qualquer outra finalidade que a palavra chutar tenha sentido na língua portuguesa- mas me aventuro por esse gramado de La Plata a dizer que muito é por comodidade. É, comodidade, aquele bicho feio que mora embaixo da sua cama e que nós adotamos como sombra. Porque é tão mais fácil com ele lá!

Vamos fingir que não somos escravos dessa monstruosidade, e que o problema então seria outro. Qual o problema? Seres-humanos. Nesse caso existem pessoas que nasceram para uma vida de eterna calmaria. Mas há outras que nasceram para tempestade. E essas querem enfrentar as ondas gigantes mesmo que destruam seu barquinho antes da última prestação ser paga, só por ter a certeza que viveram grandes emoções.  Mas seja aqui ou lá, o importante é sempre saber que se viveu, que foi feliz.

Não importa se respirar o ar de São Paulo equivale a fumar dois cigarros por dia e isso mais tarde pode custar muito mais caro do que ter aceitado aquela sugestão da pessoa amada no meio de uma discussão de ir morar numa aldeia indígena isolada no coração da Amazônia. Isso não importa. Quando se está feliz, ou acomodado, nós só vamos vivendo sem reparar nas cercas, nos chicletes no meio da rua, no ar poluído. Vai se vivendo e sendo feliz mesmo sem notar. Apesar de todos os pesares eu te garanto: se vive.

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Por sete minutos no paraíso 19 comentários Back to Top
quinta-feira, 21 de abril de 2011, 16:27


Não se sabe deis de quando as pessoas são felizes, mas desconfia-se que desde os primórdios as pessoas carregam a felicidade no bolso de uma calça mal costurada. É por isso que ela escapa com tanta facilidade.

A gente renuncia muitas vezes a felicidade do presente, para tentar ter um futuro eternamente feliz. Mas a felicidade vem e vai. Ela é a melhor amiga da tristeza. Ás vezes você fica triste por estar feliz em uma hora que não deveria. Ás vezes você diz não para felicidade, porque triste você escreve melhor; A felicidade é aquela coisa que vem depois da tristeza e da solidão, que faz você ver que nada do que você passou foi em vão. Sete minutos no paraíso, ou o tempo que sua felicidade durar.

Você passa sua vida inteira correndo atrás dela. De vez em quando você consegue alcança-la, dizer: “Oi, como anda a vida? Tudo bem? Diz para tristeza ficar por lá mesmo...” E aí ela sai correndo de novo. Ás vezes a gente cansa, para de correr atrás e acha que nunca vai conseguir alcança-la de novo, mas é coisa passageira... Por que se não for para ser feliz, ou pelo menos tentar, para que nós vamos viver?

O mais irônico talvez seja que poucas vezes na vida você percebe que esta feliz; tem mania de perceber só quando já passou. Felicidade é quando você pega o desodorante e canta na frente do espelho. É quando alguém que você sente saudades diz “Eu nunca vou te esquecer”. É quando você sonha que é uma princesa da Disney. Quando a montanha russa para, você abre os olhos e pensa: Estou vivo! É também, quando você se da conta de que não precisa ver todos os filmes em cartaz, escutar todos os discos ou ler todos os livros porque você tem as pessoas, você tem você.

A felicidade tá bem perto, é você que tem mania de querer complicar e querer ir procurar lá longe. Ela tá dentro de você, ou se preferir, no seu bolso esperando para ser sentida, usada e abusada. Porque ela adora aparecer aí, no seu sorriso.

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